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     Viva a vida em liberdade


     
    No tempo da delicadeza


    ´Fica decretado ( autor: Caio Fábio)

    Artigo 1º - Fica decretado que agora não há mais nenhuma condenação para quem está em Jesus, pois o Espírito da Vida em Cristo livra o homem de toda culpa para sempre.

    Artigo 2º - Fica decretado que todos os dias da semana, inclusive os sábados e domingos, carregam consigo o amanhecer do Dia Chamado Hoje, por isso qualquer homem terá sempre mais valor que as obrigações de qualquer religião.

    Artigo 3º - Fica decretado que a partir deste momento haverá videiras, e que seus vinhos podem ser bebidos; olivais, e que com seus azeites todos podem ser ungidos; mangueiras e mangas de todos os tipos, e que com elas todo homem pode se lambuzar.

    Parágrafo do Momento:

    Todas as flores serão de esperança, pois todas as cores, inclusive o preto, serão cores de esperança ante o olhar de quem souber apreciar. Nenhuma cor simbolizará mais o bem ou o mal, mas apenas seu próprio tom, pois o que daí passar estará sempre no olhar de quem vê.

    Artigo 4º - Fica decretado que o homem não mais julgará o homem, e que cada um respeitará seu próximo como o Rio Negro respeita suas diferenças com o Solimões, visto que com ele se encontra para correrem juntos o mesmo curso até o encontro com o Mar.

    Parágrafo que nada pára:

    O homem dará liberdade ao homem assim como a águia dá liberdade ao seu filhote para voar.

    Artigo 5º - Fica decretado que os homens estão livres, e que nunca mais nenhum homem será diferente de outro homem por causa de qualquer Causa. Todas as mordaças serão transformadas em ataduras para que sejam curadas as feridas provocadas pela tirania do silêncio. A alegria do homem será o prazer de ser quem é para Aquele que o fez, e para todo aquele a quem encontre em seu caminhar.

    Artigo 6º - Fica ordenado, por mais tempo que o tempo possa medir, que todos os povos da Terra serão um só povo, e que todos trarão as oferendas da Gratidão para a Praça da Nova Jerusalém.

    Artigo 7º – Pelas virtudes da Cruz fica estabelecido que mesmo o mais injusto dos homens que se arrependa de seus maus caminhos terá acesso à Arvore da Vida, por suas folhas será curado, e dela se alimentará por toda a eternidade.

    Artigo 8º – Está decretado que pela força da Ressurreição nunca mais nenhum homem apresentará a Deus a culpa de outro homem, rogando com ódio as bênçãos da maldição. Pois todo escrito de dívidas que havia contra o homem foi rasgado, e assustados para sempre ficaram os acusadores da maldade.

    Parágrafo único:

    Cada um aprenderá a cuidar em paz de seu próprio coração.

    Artigo 9º – Fica permanentemente esclarecido, com a Luz do Sol da Justiça, que somente Deus sabe o que se passa na alma de um homem. Portanto, cada consciência saiba de si mesma diante de Deus, pois para sempre todas as coisas são lícitas, e a sabedoria será sempre saber o que convém.

    Artigo 10º – Fica avisado ao mundo que os únicos trajes que vestem bem o homem diante de Deus não são feitos com pano, mas com Sangue; e que os que se vestem com as Roupas do Sangue estão cobertos mesmo quando andam nus.

    Parágrafo certo:

    A única nudez que será castigada será a da presunção daquele que se pensa por si mesmo vestido.

    Artigo 11 - Fica para sempre discernido como verdade que nada é belo sem amor, e que o olhar de quem não ama jamais enxergará qualquer beleza em nenhum lugar, nem mesmo no Paraíso ou no fundo do Mar.

    Artigo 12 – Está permanentemente decretado o convívio entre todos os seres; por isso, nada é feio, nem mesmo fazer amizades com gorilas ou chamar de "minha amiga" a sucuri dos igapós. Até a "comigo-ninguém-pode" está liberta para ser somente a bela planta que é.

    Parágrafo da vida:

    Uma única coisa está para sempre proibida: tentar ser quem não se é.

    Artigo 13 - Fica ordenado que nunca mais se oferecerá nenhuma Graça em troca de nada, e que o dinheiro perderá qualquer importância nos cultos do homem. Os gazofilácios se transformarão em baús de boas recordações, e todo dinheiro em circulação será passado com tanta leveza e bondade que a mão esquerda não ficará sabendo o que a direita fez com ele.

    Artigo 14 – Fica estabelecido que todo aquele que mentir em nome de Deus vomitará suas próprias mentiras e delas se alimentará como o camelo, até que decida apenas glorificar a Deus com a verdade do coração.

    Artigo 15 – Nunca mais ninguém usará a frase "Deus pensa que...", pois, de uma vez e para sempre, está estabelecido que o homem não sabe o que Deus pensa.

    Artigo 16 - Estabelecido está que a Palavra de Deus não pode ser nem comprada e nem vendida, pois cada um aprenderá que a Palavra é livre como o Vento e poderosa como o Mar.

    Artigo 17 – Permite-se para sempre que onde quer que dois ou três invoquem o Nome em harmonia, nesse lugar nasça uma Catedral, mesmo que esteja coberta pelas folhas de um bananal.

    Artigo 18 - Fica proibido o uso do Nome de Jesus por qualquer homem que o faça para exercer poder sobre seu próximo, e estabelecido que melhor que a insinceridade é o silêncio. Daqui para frente, nenhum homem dirá "O Senhor me falou para dizer isto a ti", pois Deus mesmo falará à consciência de cada um. Todos os homens e mulheres que crêem serão iguais, e ninguém jamais demandará do próximo submissão, mas apenas reconhecerá o seu direito de livremente ser e amar.

    Artigo 19 – Fica permitido o delírio dos profetas, e todas as utopias estão agora instituídas como a mais pura realidade.

    Artigo 20 - Amém!



    Escrito por Dare às 16h12
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    QUE SEJA - Lu Ricieri

    Era um sábado. Quente. Era de noite. Reguei as flores que plantara naquela tarde,
    despedi-me de Nina e deste mundo para entrar em outro - aquele dos que
    temem a vida e a morte. Nasceu. Eram onze horas. Olhou-me de frente e me segurou.
    Senti-me pequena perto dela. Desviava o olhar. Ela me fitava do jeito que fitam
    os que sabem muito. Abracei-a. Assim ficamos por catorze anos, abraçadas
    às cruzes dos dias enfermos.
    Pelas madrugadas gastas , iniciei um ofício paralelo. Tinha que retratá-la
    em palavras leves. Plumitiva. Contá-la em claros ou intervalos. Deveria ser escritora.
    Punha-me a pensar em todas as possibilidades de contentá-la e em todas as coisas
    que teria que lhe ensinar - o primeiro passo, a primeira palavra, a primeira impressão,
    a primeira dúvida. Tudo pode ser mar ou céu em todos os inversos e convexos.
    Paradoxos, dispersos.
    Anotei tantas quantas fossem as repetidas consoantes de seu leve balbuciar.
    Montei frases inteiras como quem não sabe ler. Apenas de ouvido criei suas histórias.
    De ouvi-la tanto, reconheci o que era dor ou medo, frio ou fome. De ouvido fiz
    um diário de bordo para uma viagem solitária, guiada por um cem número de
    constelações na abóbada que construí sobre mim. Descobri que as febres se
    descobrem pelo leve tocar de lábios. Que os medos se abandonam pelo olhar sereno.
    Que o frio se dispersa com abraço. Que a fala se anima com histórias. Que o andar
    se ensina lado a lado. Frente e verso.
    Éramos quatro: eu e ela mais eu e ela. Eram dois corpos no espelho; diante do
    corpo metálico era um. Devia me contentar com reflexos de nós mesmas distorcidos
    em espelhos baratos, pois que no mundo não há musos. Inspirei-me ao me ver tão
    semelhante porque não tinha como nos ver desiguais. Como musas, Mnemósine.
    Amnésia. Devia me esquecer de quem fui numa quase finitude. O esquecimento
    não chegou de tudo, apenas fiz que esqueci e relembrei todas as aflições infantis.
    Memórias, reflexo. Imitação ora de mim, ora dela. Guardei estas impressões vulgares
    como digitais que pelo mundo inteiro sempre foram únicas, mas de repente,
    repetiram em mim e nela. De duas, quatro. De quatro, estes infinitos que
    só os espelhos sabem fazer, mesmo os bem baratos. Moraram comigo,
    barafunda de vozes, confusão de imagens. Quem são elas. Quem são?
    As que se refletem ou as que se vêem?
    Hoje provo a inocência das saúvas e das flores. Provo a inocência
    dos que erram por amar. As saúvas, como contínuos, rápidas dizimam o jardim
    por necessidade de provisões; as flores, por sua vez, de tão bonitas
    não conseguem se ocultar, por isso solto minha cruz por um instante. Sinto-me
    menos enferma, hoje, depois de tantos anos. Era uma quarta-feira este dia.
    Frio e havia neblina se olhasse pela janela. Fechados os olhos, apenas se sentia
    o cheiro que molhava as flores. Hoje, confesso, não reguei o jardim. Despedi-me
    deste mundo para entrar em outro que desconheço o que tem mais peso
    - a vida ou a morte? Morri eram três da madrugada.
    Olhei-me de frente e segurei o choro. Senti-me grande, tão grande que doía.
    Considerei-me daquele jeito que se consideram os que perderam
    um cem número de estrelas. Não havia quem me abraçasse. Assim fiquei calada
    até que amanhecesse. Hoje saí do quarto cheia de emendas, porém com apenas
    algumas feridas que vão secar. Vão secar.


    Escrito por Dare às 01h29
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    Continho I- Lu Ricieri ( meu presente de aniversário)

     

    Era uma vez uma menina que descobriu que sabia plantar. Que tudo que punha a mão fazia nascer.

    Mas queria encontrar uma flor diferente de tudo que havia no jardim da mãe e nas hortas das avós.

    Ela parecia procurar coisas do céu e coisas do mar, nunca da terra, mas como o céu lhe fosse impossível

    e o mar muito profundo, andava ao longo das hortas, examinando as folhas gentis e reunindo sementes

    sem nenhum critério ou cuidado. Plantava-as em valinhas comuns e as flores, simples e ingênuas, como

    é natural que sejam, nasciam. Um dia, entre as artemísias, descobriu uma semente que passou a amá-la

    em profundidade, o que é muito natural entre as sementes.

    A menina levou-a para casa e acomodou-a no melhor vasinho que havia guardado para a semente que

    procurava ao longo de sua vida de menina.
    A semente gostou do jeito que a menina arrumou o cobertorzinho de terra sobre ela, pois o que são as

    sementes senão acomodadas embaixo da terra?
    A semente passou a acreditar muito na menina, o que também é muito natural entre as sementes. Pois

    o maior temor da sementinha era o de que algum passarinho a comesse, então ela jamais saberia como

    seriam suas pequenas flores, porque tudo é segredo no mundo vegetal.

    O modo como ela lhe cedia água gentilmente, carinhosamente, religiosamente todas as manhãs fazia

    com que a semente tivesse esperança. E a menina ainda lhe protegia do sol forte e do vento frio, das

    grandes chuvas e das garoas impertinentes, da neblina e do orvalho.
    Mas chegou o dia em que a semente começou a germinar. Primeiro um cordãozinho quase umbilical,

    depois um bracinho fino e claro, depois uma mãozinha áspera de folha.
    A menina percebeu com sua longa experiência em coisas da terra e jardins e hortas que aquela

    não era a flor que imaginara.
    A plantinha fazia um esforço sublime para a cada manhã se mostrar mais verde e abrir logo um botão.

    Mas a menina a visitava em intervalos cada vez maiores e a plantinha, o que é muito natural entre os

    vegetais, percebeu seu desinteresse. 
    Ela não conseguia esconder seu desapontamento, afinal não precisava de plantas corriqueiras,

    dessas que nascem nos cantos do quintal, nos tijolos muito gastos, em buracos de formiga.

    Daninhas mesmo. E não sabia o que fazer com ela. Havia lhe dedicado um tempo valioso e

    era uma planta comum. A menina se afastou um pouco e mais um pouco pra ver se à distância

    lhe pareceria mais graciosa, mas não! Afastou-se e jamais voltou para regá-la.

    As plantas, assim como os cachorros e crianças, quando percebem o terrível hálito do abandono

    morrem para sempre. Mas a plantinha deste conto era corajosa e queria viver. E muito simples

    e sozinha, como se é natural às quase flores, abriu um botão. Seu botão passou por grandes chuvas,

    garoas impertinentes, sóis abrasadores, neblinas e doces orvalhos.
    Abriu serenamente numa manhã plena de brumas uma flor de uma carreira só de pétalas,

    amarrotadas e pálidas e viveu ali por muito tempo. Rompeu com o vasinho, teve muitas filhas sementes,

    alegres e bailarinas, olhos verdes e sainhas de tutu, como se é natural às filhas sementes,

    serem bailarinas. Cresceram-lhe grandes galhos e hospedou famílias inteiras de passarinhos e

    cigarras, besouros e borboletas.


    E o continho deixou de ser da menina e passou a ser da plantinha e ela era uma simples planta corriqueira.

    Lu Ricieri



    Escrito por Dare às 01h40
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    UMA BÍBLIA, UM DICIONÁRIO - uma história verídica - Dare e Lu

    Têm coisas na vida que a gente nem de longe sabe explicar,

    por isso se guarda por tanto tempo na esperança de que apareça

    alguém com história repetida pra gente se levantar no meio do comum

    e contar o que viveu com aquela alegria de saber que não é o único

    sobrevivente por ali, ou simplesmente, espalhar as figurinhas repetidas 

    e trocá-las, achando as do colega muito mais interessantes. 

     

    Não sei explicar estes amores que vêm em forma de solidão concentrada

    e que a gente dilui em água com gás e muito açúcar para conseguir engolir.

    Troquei muita figurinha de uns anos pra cá, diluí muito azedume e, sobrevivi.  

    Depois de tantos achaques, começo minha história de quem nem queria começar

    porque tem preguiça de lembrar destas bobices e dissabores que o amor traz:

     

    Já passara muito tempo desde a primeira vez que botei os olhos nele

    e o tempo de se apaixonar também pensava ter me esquecido. Nada

    acontecera nos primeiros anos de leve camaradagem. Destino que é destino

    vem com gosto de fado, mas pra mim ele apareceu simples como copo de

    garapa, depois,  vinho bom regado a tango.

     

    Foi numa noite destas sem mais e sem menos que aconteceu dele me beijar.

    Posso garantir, no tocante à parte lesada, que ali terminou a distância latitundinária

    e cronológica entre a gente. Não sabia que corria o risco destas segundas adolescências.

    Nele suspeitei apenas que perdera o prumo da chamada idade da razão.

     

    E nos amamos do jeito que deu. Recheados com malas postas e

    reencontros. Era tanto ir e vir que a gente se esquecia de quem

    era a vez e me pegava dizendo:  - É a minha vez? Num profundo

    acatamento ao direito de ir e vir circulávamos pela vida

    sem endereço certo. Fui um voucher, sempre à mão, como

    nos aconselham os espertos nas viagens redondas, mesmo assim,

    vivemos por um lustro ou mais.

     

    Um dia resolveu ir de vez. Foram noites de choro e solidão,

    tempo de brasas e cinzas entre os dedos consumidos

    sem perceber o sono. Era um travesseiro vazio e me doía

    a memória pensá-lo longe de mim. 

    Fui enchendo-o de outras coisas para me dar conforto, até chegar

    na fé, pensando algo que atenuasse amor, que me enrilhasse e me

    envelhecesse de tudo.

     

    Estava tão convencida disso que no dia em que voltou

    dei-lhe de presente o Evangelho.

    Ah, Cristo! Minha vontade era de ser exegeta como você foi

    e pudesse interpretar cada pontinha do iceberg que me tornei,

    mas não era boa com palavras. Apenas lhe entreguei

    daquelas boas novas que não entendia.

     

    Não sei contar que tempo foi este, apenas sei que a última vez

    que nos falamos foi pelo telefone, aos gritos. Foi impossível

    qualquer entendimento, mas houve o ferimento. Profundo.

    Outras noites de choro e solidão. Cama feito jirau, quarto feito cela.

    Outro travesseiro murcho que não quis encher com mais nada,

    apenas imaginá-lo etéreo feito paina pendurado na tristeza

    dos agostos que pareciam nunca mais acabar.

     

    Um ano só de agostos ásperos e cheios de garoas se passou.

    Contentei-me com o mais bonito que os agostos poderiam me trazer,

    suas colchas rosadas que se desfaziam em fiapos de algodão-doce

    fazendo sujeira sobre as pedras de meu sono leve e adoçando o que

    não tinha mais jeito.

     

     

    Ontem ele veio, meio com jeito de primavera que

    pensei nunca mais ver. Voltou não sei de onde, mas

    abraçou-me sorrindo como se nada tivesse acontecido.

    Eu de mãos vazias, sem palavra ou presente, tampouco de entendimento.

     

    Ele então me deu tudo  que eu queria: flor, beijo, desejo,

    carícia, sorriso, paciência, riso, poesia, alegria e compaixão,

    enfim, me trouxe tudo o que, em silêncio, talvez, quisesse me dizer. 

    Num profundo acatamento ao direito de se tornar inteligível

    me trouxe um dicionário. E eu? Não disse palavra, talvez “obrigada”,

    não sei. Fui pega de assalto como na vez do beijo.

    As palavras por tantas vezes nos faltaram. Preceitos afogaram nossa fé.

     

    Atiro umas caridades e perdões na água parada e espero

    que a crença em nós suba nas palavras-chave que bóiam

    fazendo de conta que não têm função alguma. Uma bíblia; um dicionário. 

    Um lexicógrafo poderia ser um bom amante? Uma exegeta poderia entendê-lo?

     

    Será que ele ainda tem a bíblia?

    Eu sigo com meu dicionário.

    Uma bíblia; um dicionário.

    autores: Lu Ricieri e Dare



    Escrito por Dare às 02h19
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    Acróstico: AMOROSO

    A quele que

    M e acolheu e carrega comigo

    O peso das tristezas e das lutas...

    R evela-se pra mim, a cada dia, com Seus

    O lhos de Pai,

    S empre me guia, para que eu encontre

    O ndas de luz e paz nesta jornada...

    autor: Dare



    Escrito por Dare às 19h53
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    DIA DAS MÃES



    Escrito por Dare às 08h59
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    TÔDA TÓDA VÔA - Lu Ricieri

    Os muito bons na língua que me perdoem, mas

     

    acho que esta reforma é coisa pra português ver.

     

    Ela entrou em vigor, mesmo que a gente vá comprar

     

    dicionário e o vendedor diga que é melhor esperar.

     

    Não entendo e não vou comprar dicionário. Ainda estou

     

    em conflito, afinal, esta é a primeira das grandes.

     

    Não me preocupo com o povo da Europa e da África,

     

    eles sempre vão falar um português mais bonito. E aqui,

     

    em nossa solidão lusófona, sempre vamos falar

     

    o mais criativo dos portugueses, logo, o que ando sentindo é nostalgia.

     

    O trema para mim era como meio-fio. Tudo bem que ninguém nota o meio-fio,

     

     mas era tão tranqüilo em sua sonoridade de pedra que não convinha mexer.

     

    O hífen, esta pinguela duvidosa, estava ali para ligar elementos.

     

    Cada acento para dar o tom, o meio-tom e avisar das cordas soltas

     

    em cada palavra. Depois fui caindo na realidade e considerando a reforma

     

    como estes encalços no percurso histórico ou como um discurso de fundo

     

    nacionalista.



    Escrito por Dare às 19h01
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      Foi no Pasquim que aprendi coisas interessantes,

     

    entre estas que “Tôda Tóda Vôa”. Queriam dizer com isso que

     

    os acentos diferenciais haviam caído depois de 71. Mas a tóda me deixou

     

     tão curiosa que não me detive na queda dos acentos,

     

    mas na coisa que voava. Que raio seria?

     

    Como não tivesse dicionário, o jeito era deduzir. Se voava

     

    só poderia ser ave, isso tudo porque naquela época

     

    era tudo pelo meio, atrasado, tesourado e

     

    cheio de Camões em hora errada, portanto,

     

    era bem comum vivermos de deduções.

     

    Para se ter noção mais ampla de uma língua

     

    tem que se caminhar na rua, sentar a beira do balcão,

     

    ir à feira comer “dois pastel” e no botequim “beber um chopes”.

     

    Ler jornal, livro grosso e anúncio popular

     

    também é exigência para se aplanar conceitos. Quem entende

     

    uma placa em açougue do tipo Aceita-se jegue para trinta dias?

     

    Ora, a língua não se domina simplificando, deve-se vivenciá-la

     

    ou indo mais longe, decifrá-la. Daí volta toda minha saudade,

     

    mesmo de um tempo ruim em que a gente era muito cobrado

     

    pelo pouco que era oferecido. Quando as provas de leitura

     

    eram feitas de frente para o senhor diretor e

     

    ao lado do pavilhão nacional, numa espécie de patriotismo forçado.

     

     Não era permitido transcorrer numa silabada em nosso momento de tortura.

     

    Mas tudo bem, tenho que concordar, sou uma simples mortal e

     

    minha nostalgia não vai justificar nada, considerando

     

    que os grandes da língua falam das vantagens. Vou fechar a porta

     

    e ficarei olhando pela janela. Despeço-me. Já viram a esquina

     

    meus tremas elegantes, meus hífens passados a ferro, agora pretéritos

    .

    Vai por água abaixo o domínio da acentuação gráfica

     

    duramente conquistado embaixo de tanto bolo de régua.

     

    Agora entendo aqueles que ficam abilolados com mudanças.

     

    No Plano Real, por exemplo, os zeros a menos

     

    deixou muita gente amalucada. Nunca tive muita noção de zero em dinheiro,

     

    o meu sempre foi de poucos, mas hoje enlouqueço pela demissão dos sinais.

     

     Na realidade, penso que toda mudança nos deixa meio órfãos ou malucos,

     

    sejam de zeros ou de sinais.



    Escrito por Dare às 19h00
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    . Pra espairecer, foi que decidi assistir a uma aula

     

    de francês numa escola de verdade. Queria ir sem perguntas,

     

    sem passar do natural bom dia, mas aquilo me fez  voltar

     

    ao motivo pelo qual estava ali. Para um bom entendedor,

     

    aquela descrição era mais que uma coisa significada e

     

    o olhar pela janela era nostalgia. Naquele momento de saudade

     

    não havia nenhuma palavra nem sinal que o descrevesse,

     

    mesmo assim entendi que ele falava de saudade. O que faz a gente se entender

     

    é o conjunto de sentidos, mesmo quando o tema central pareça insignificante no início.

     

    Não queria ser clichê, mas ainda bem que a vida é. Perguntei ao professor (porque ele

     

    era de Lisboa) se a palavra saudade era mito e, para minha deliciosa surpresa, ele disse

     

    que não.  Não há nenhuma equivalente em outro lugar, apesar de todo mundo senti-la.

     

    É uma coisa tão extensa que nos atinge em todas as faculdades e como elemento difícil

     

    de se descrever, ela se mistura e a gente não sabe bem do que se tem saudade no final

     

     das contas. Unidos estávamos agora.  Ele mais pela terra do que pelas pessoas. Eu pelas

     

     palavras que vão tomando outro corpo. Como tudo já tinha ficado clichê mesmo,

     

     perguntei:

     

    - O que quis dizer professor?

     

    - Nada. É que só se morre de saudade no Brasil.

     

    - É. Mas saudade no Brasil pode ser também flor. E pode chamar a flor de suspiro.

     

    - Sério?

     

    - Sério?

     

    Ninguém ali havia passado por uma reforma, tampouco havia deixado um país.

     

    Não entenderiam a saudade que pode ser por uma terra ou por palavras.

     

    Murchas saudades de coisas que vão para se pôr outras no lugar.

     

    A gente seguirá tateando sentidos, procurando palavras menos capengas

     

    que nos façam ser mais claros. E inesquecíveis.

     

    Saudades já, das palavras.

     

     

    autor: Lu Ricieri

     



    Escrito por Dare às 18h55
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    Acróstico: FELICIDADE

    Fios de sonhos

    Entrelaçados com

    Lirismo e leveza...

    Imagens

    Cálidas de um

    Idílio

    Duradouro com

    A vida... ah!

    Deve existir... ela há de

    Existir!

    autor: Dare



    Escrito por Dare às 20h53
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    Acróstico: INCÓGNITA

    Iludo-me

    Na esperança de

    Compreender-te,

    Ó misterioso amor de trevas e de sóis...

    Ganhaste tamanha força em mim,

    Nada te detém...

    Iluminas meu ser e me destróis, digo-me livre sendo tua,

    Tento em vão decifrar-te, mas sempre tu me pegas, nua,

    A buscar as respostas que não tens.

    autor: Dare



    Escrito por Dare às 17h58
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    Acróstico: DEPRESSÃO

    Dentro do peito, a dor

    Em ritmo de um triste blue e na

    Parede o velho tiquetaque de um

    Relógio velho...

    Estou chorando porque

    Sei que perdi o que de fato tinha algum

    Sabor: eu clamo pelos

    Ãos das Mãos de minha mãe e o ãe de Mãe me dando as mãos...

    O resto é pura solidão.

    autor: Dare



    Escrito por Dare às 15h54
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    Catalogando a saudade... (Lu Ricieri)

    Ontem percebi que os coquinhos que fotografei

    há dois meses estão maduros e caem à toa.

    Os morcegos dependurados no cacho fazem

    um alvoroço negro e alaranjado...

    Um fuzuê de escuro e luz. Fiquei com vontade de

    pegar alguns e ver se têm o mesmo gosto da infância.

    O gosto que sinto é daquela saudade estranha e sem medidas,

    talvez não sejam assim tão gostosos, mesmo assim vou

    colher alguns como quem não quer nada,

    apenas catalogar a saudade.

    autor: Lu Ricieri

     



    Escrito por Dare às 15h36
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    POR QUEM HOJE DOBRAM SINOS?

    Pelas meninas,

    Pelos meninos,

    Pelos poetas soturnos,

    Pelos pássaros noturnos,

    Pela mãe e pelo filho,

    Pelos olhos já sem brilho,

    Pela saudade sem fim,

    Por você,

    Por mim.

    autor: Dare



    Escrito por Dare às 14h46
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    GRAMÀTICA CAóTICA

    T ransgrido
    R egras
    A diciono
    N ovos
    S ignificados
    M e
    I nvento
    G ramáticas
    R aras
    A té
    Ç edimentar
    Ãvidamente
    O caos

    autor: Dare



    Escrito por Dare às 07h37
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    Acróstico:LINDA DEMAIS

    Lembra? a gente
    Ia, feliz, cantando e rindo, aspirando o
    Néctar dos jasmins, divinas
    Dádivas que a natureza espalhou
    Ao longo do caminho...


    Depois o tempo passou levando tudo
    E se acabou a história...
    Mas guardo, com zelo, na memória,
    Aquele acreditar na vida, e as
    Ilusões que, de tão lindas,
    Sempre pareciam ser reais...

    Autor: Dare



    Escrito por Dare às 06h42
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    Acróstico: LIBERDADE

    Levo , na viagem,
    Irrisória
    Bagagem.
    Economizo
    Recordações e
    Dores ...
    Assim, caminho, leve...
    Devo chegar
    Em breve.

    Autor: Dare



    Escrito por Dare às 02h58
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    QUE SEJA AMOR.(lindo texto de minha amiga Lu)

    Era um sábado. Quente. Era de noite. Reguei as flores que plantara naquela tarde, despedi-me de Nina e deste mundo para entrar em outro - aquele dos que temem a vida e a morte. Nasceu. Eram onze horas. Olhou-me de frente e me segurou. Senti-me pequena perto dela. Desviava o olhar. Ela me fitava do jeito que fitam os que sabem muito. Abracei-a. Assim ficamos por catorze anos, abraçadas às cruzes dos dias enfermos.
    Pelas madrugadas gastas , iniciei um ofício paralelo. Tinha que retratá-la em palavras leves. Plumitiva. Contá-la em claros ou intervalos. Deveria ser escritora. Punha-me a pensar em todas as possibilidades de contentá-la e em todas as coisas que teria que lhe ensinar - o primeiro passo, a primeira palavra, a primeira impressão, a primeira dúvida. Tudo pode ser mar ou céu em todos os inversos e convexos. Paradoxos, dispersos.

    Éramos quatro: eu e ela mais eu e ela. Eram dois corpos no espelho; diante do corpo metálico era um.
    Devia me contentar com reflexos de nós mesmas distorcidos em espelhos baratos, pois que no mundo não há musos. Inspirei-me ao me ver tão semelhante porque não tinha como nos ver desiguais.
    Como musas, Mnemósine. Amnésia. Devia me esquecer de quem fui numa quase finitude. O esquecimento não chegou de tudo, apenas fiz que esqueci e relembrei todas as aflições infantis. Memórias, reflexo. Imitação ora de mim, ora dela. Guardei estas impressões vulgares como digitais que pelo mundo inteiro sempre foram únicas, mas de repente, repetiram em mim e nela. De duas, quatro. De quatro, estes infinitos que só os espelhos sabem fazer, mesmo os bem baratos.
    Moraram comigo, barafunda de vozes, confusão de imagens. Quem são elas. Quem são? As que se refletem ou que se vêem?

    Hoje provo a inocência das saúvas e das flores. Provo a inocência dos que erram por amar. Solto minha cruz por um instante. Sinto-me menos enferma. Hoje, depois de tantos anos. Era uma quarta-feira este dia. Frio e havia neblina se olhasse pela janela. Fechados os olhos, apenas se sentia o cheiro que molhava as flores. Hoje, confesso, não reguei o jardim. Despedi-me deste mundo para entrar em outro que desconheço o que tem mais peso - a vida ou a morte? Morri.

    Eram três horas da madrugada. Olhei-me de frente e segurei o choro. Senti-me grande, tão grande que doía. Considerei-me daquele jeito que se consideram os que perderam um cem número de estrelas. Não havia quem me abraçasse. Assim fiquei calada até que amanhecesse. Hoje saí do quarto cheia de emendas, porém com apenas algumas feridas que vão secar. Vão secar.

     

     

    Autor: Lu Ricieri



    Escrito por Dare às 02h31
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    CAIXINHA DE SONHOS-autor:Lu Ricieri

    Era uma caixinha de linhas de bordar Âncora do tamanho de um caderninho de brochura. Naquele espacinho guardava tudo que me fazia infinitamente triste, feliz, angustiada. Crianças também sofrem em silêncio solitárias.

    Escrevia em pequenos pedaços de papel azul, aquele que antigamente era o cobertorzinho de maçãs. Sim, aquele mesmo, que uns vêem azul, outros vêem roxo. Via-os e ainda os vejo azuis, isso quando tenho a sorte de reencontrá-los. Azuis Portinari para ser cromaticamente precisa. Pegava na feira muitos e muitos. Escrevia ali a lápis branco todas as minhas tristezas, o que não gostava, o que eu queria que mudasse, as maldades, minhas dificuldades, o que eu não queria ser, sobre guerras e grandes fomes, heróis mortos e grandes chuvas, incêndios e torturas.
    No papel branco e qualquer papel branco servia, eu escrevia à tinta azul tudo que pra mim era agradável e o que pensava poder evitar. O que queria para as pessoas que faziam parte de meu universo. Tudo que queria ser quando crescesse, que desejava envelhecer junto de meus irmãos e pedia também que nunca morresse antes de meus pais. Esta sempre foi minha maior angústia, saber que não tenho o menor poder sobre a dor dos outros.

    Tinha os papéis coloridos, aqueles de costureira, num tempo em que havia muitas costureiras e em que toda sala havia uma máquina Pfaff, Elgin, Vigorelli e as mães bordavam as roupas de seus bebês com linha de costura. Achava que com isso elas se aproximavam mais facilmente de seus filhos que jamais sabiam ser meninos ou meninas. Quem não tinha máquina, passava algumas tardes na casa da vizinha ou comadre a costurar o enxoval. Estas tardes eram especialmente deliciosas, pois sobravam retalhos do fabuloso papel manilha.
    Naquele papel rosado escrevia colorido. Ali tudo era bom: meus sonhos, personagens que eu criava, os países que eu sonhava conhecer, meus bichinhos de brinquedo, vô e vó, pai e mãe, irmãos, parquinho, castelo de areia, Vila Sésamo, bolinho de chuva, cães e árvores, pitangas e balanços, carros e histórias, tios e brincadeiras. Tudo no cor-de-rosa, na simplicidade de rosados restos de papel.

    Esta caixa andava comigo, era uma espécie de telefone móvel, a única diferença é que nunca ouço o telefone tocar, mas a caixinha, qualquer alteração de humor, medo ou alegria me fazia correr para ela. Sentia que precisava lhe falar, que precisava registrar rapidamente para que não se perdesse no vazio a chance de realizar algo ou prender ali o inevitável, pois o inevitável quando entrava na caixinha se tornava estéril. Estava sepultada toda forma de dor.
    Mas um dia, na hora da saída da escola, minha caixinha caiu. Foi uma algazarra. Meus sonhos foram se espalhando e de tão leves foram sendo levados para longe. Eu não conseguia mais recuperá-los. As crianças pegaram e iam se apossando de alguns deles. Eles foram então detidos, pisados, ridicularizados. Liam em voz alta tudo que pra mim era sagrado. Parece que até hoje ouço aqueles risos.

    Recolhi o que sobrou dos sonhos que já não eram mais meus. Os pequenos sonhos, a professora fez com que eu mesma varresse. Fiquei lá até quase onze e meia, varrendo tudo que pra mim fora importante, misturados a pontas de lápis, papéis de bala e poeira.
    Na manhã seguinte, acordei meio febril, não queria nunca mais voltar na sala da terceira série no segundo andar do grupo. Nunca mais queria subir aquelas escadas, mas que escolhas fazem as crianças?

    Cheguei na escola e haviam me elegido “margarida”. Eram chamadas assim as mulheres que varriam as ruas em São Paulo, naquela época em que o trabalho era quase que exclusivamente masculino. Havia me transformado numa reles margarida, a flor que ninguém quer, que nasce à toa em qualquer lugar, sem cuidado nem atenção.

    Minha caixa nunca poderia ter abrido. Havia traído todos meus sonhos tornando-os impossíveis. Chorei atrás da cortina e as lágrimas desbotaram as margens e pautas da brochura.
    Decidi me livrar da dor e numa noite muito escura fiz a cremação de minha caixa de sonhos. Esta seria a pena que deveria pagar pela delação.

    Fui crescendo e ainda sentia falta de minha caixa. Precisava muito dela e incinerá-la foi se tornando uma lembrança amarga demais, precisava também que me absolvessem de tão hediondo crime. Comecei instintivamente a escrever nas camisetas do uniforme, em princípio como um ato de desagravo, mas depois por uma imensa necessidade de ser vista, de ser ajudada a prosseguir sem sonhos. Precisava que me ensinassem a caminhar vazia e cinzenta – sem azuis intensos, brancos absolutos ou rosados coloridos. Eternos.
    Estava eu ali, com bula e manual de instrução. Poucos quiseram ler o que registrava em tinta verde e azul e preta. Ninguém poderia ou se atreveria tomar posse de minha camiseta de sonhos. Trazia arraigada demais em mim

    Às vezes ainda encontro algumas crianças daquelas que se apossaram de meus sonhos - estão encarquilhadas e amargas. Outras vagando num mundo obscuro e velho. A certeza que tenho é a de que elas não conseguiram se apossar de todos eles.
    O tempo passou mais rápido que imaginara. O que foi externo está presente em mim, quase como uma segunda pele ou mais que isso. Jamais se espalharão as pecinhas que juntei tão minuciosamente nesses anos. Está tudo aqui, em todas as coisas que faço: em sorrisos, lágrimas e medos; fracassos e descasos, dores e doações. Atrás de cortinas, em espaços e sons.

    Tudo que coloquei ali vem acontecendo. Tudo que desejei do fundo de meu coração infantil se realiza em mim em minha procura. Sonhos não podem ser roubados, transferidos, varridos, manipulados, exilados, torturados. Eles permanecem até o dia que a gente descobre que toda flor tem sua beleza, nobreza, singularidade e seu exato espaço no jardim.
    Hoje amo as margaridas e me alegro em sê-las. Crescer sem cuidado pode ser considerado um dom. Não ter a fragilidade que se confere às flores mais nobres também. Crescer em qualquer lugar é melhor ainda. É a chance que nos é dada de estar por perto onde ninguém quer estar, dando um colorido novo onde tudo é frio e angustiante. Sonhos, medos, fantasias, tristezas nada disso deve ficar escondido
    .

     

    autor: Lu Ricieri



    Escrito por Dare às 22h35
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    Acróstico: ESTRELAS

    Elas estão lá, na
    Sombria noite da
    Triste escuridão...
    Resplandescem e
    Enfeitam com sua
    Luz distante
    A minha
    Solidão

    Autor: Dare


    Escrito por Dare às 11h47
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    Acróstico: SIMPLES

    Sol

    Infancia

    Manteiga

    Pão

    Eu

    Autor: Dare



    Escrito por Dare às 11h46
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    CARINHO

    Crianças na
    Areia, brincando e
    Rindo,
    Inocentes...
    Nada as perturba!
    Hoje
    O sol brilha, feliz!
    Esportistaautor: Dare 



    Escrito por Dare às 11h46
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    JARDIM


    Alguém diz:
    "Aqui antigamente houve roseiras"
    Então as horas
    Afastam-se estrangeiras,
    Como se o tempo fosse feito de demoras...

    autor: Sophia de  Mello Andresen



    Escrito por Dare às 18h25
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    Lindo texto de minha amiga Lu Ricieri

    Pautas para reuniões intermináveis estão para tardes quentes e sem chuva.
    Olho para longe. Evapora tão rápido o lá fora e aqui tudo é parado. Bem distante existe um cenário mormacento que distorce como espelhos baratos. E me penso presa. A sala fica no décimo - terceiro andar. Treze. Loucura. Imagino a barulhada que vem do jardim vizinho, pois não ouço nada além dos ponteiros dos segundos. Um minuto paralelo a este em que me prendem, impossível estar perto da infância que corre embaixo deste mundo cacete.
    Poria nestas paralelas eqüidistantes algo como histórias de amor, destas que a gente acha improvável que aconteça na vida da gente, mas que acontecem sem prés nem requisitos, medidas ou contratos.

    Estratégias.

    ..................................................................................................................

    Acordo.
    As estratégias são baldes que vou enchendo de flores. Na brochura nada do que se falou está registrado. Vão brotando ainda pequenos trevos, casas, chaminés e pandorgas. Escondo com a mão esquerda.

    ..........................................................................................................................................

    - O que acha disso?

    - Eu? Nada.
    Nada. Sorrio pra dentro e seguro o indicador para disfarçar o mau jeito.

    ...........................................................................................................................................Nada.
    Pra isso o “nada” é elemento essencial. Para se viver um grande amor o nada é que se enche de umas coisas coloridas feito noite mal-dormida, sabe? Umas bolas azuis de cansaço que piscam, que precipitam de todos os lados e caem como chuva pesada. Isso é o nada que deixa de ser abstrato. Concreto nada.
    Pena o Vinícius não estar mais aqui pra ver . Iria ficar com inveja de amores tão diversos e extraordinários como os que conheço e que vivo de perto.
    O que os tornam mais bonitos mesmo é a gratuidade, que vem de agradável sabe? De doce ternura.
    Amor por gente que a gente nunca viu e nunca vai ver ou encontre em nossas vidas incomuns. E ama, cada uma do seu jeito porque são três, cada qual a seu tempo e modo.

    A primeira pessoa ainda o imagina professor ou quitandeiro. O professor seria daqueles clássicos que pela vida inteira reconhece seus alunos e sabe seus antes-e-sobres-e-nomes.
    Talvez se pudesse comprar verduras e sua quitanda seria bom também. Saberia a exata função de cada exemplar.
    Ela queria ir em sua quitanda todos os dias até que ele ficasse velho, muito velho. Professores desaparecem; quitandeiros são de uma fidelidade absurda. Criam raízes atrás dos balcões úmidos e vão ficando até que a gente nem se lembre mais.
    A segunda pelo menino louro que foi. Pela cabeleira escorrida e pela magreza.
    Talvez porque ela também sonhe com jardins interiores, secretos, cercados por panelas e velhas latas. Nunca mais envelheceriam.Passariam a juventude numa solidão absurda. Eterna. Ela sabe que solidão será sempre solidão e por isso apenas sonha com um Harold que passou e que nunca mais alcançará.

    ..............................................................................................................

    Pausa para o café.
    - Obrigada.
    (e fico)

    ...........................................................................................................................................

    A terceira pessoa apenas corre o dedo pelo mapa e conta as horas e risca números no calendário e recolhe folhas e tenta guardar tudo o que pra ele é bonito, à toa, pra um contentamento apenas. Não deseja nada, pois sabe que nada seu. Tudo que tem carrega na mão onde antes havia um "M" mal-feito que o doutor tentou restaurar. Aconselhou-a parar com as tintas. A usar luvas. A não lavá-las tanto. A nunca escrever nelas. Nunca obedeceu e foi-se apagando e um dia porque pegasse sua mão à força, a cigana lhe disse ao ouvido:

    - Não duras mais que dois anos. Não tens linha da vida.
    Ela pensa encostada na tarde que cai. Ela conta os ladrilhos. Ela endireita a coluna. Ela queria mesmo era estar sentada na mureta do rio onde acompanha até onde vão os uapés... Vão, vão, vão.

    .....................................................................................................................................................

    E voltam do café.
    - Já?
    Dois anos é bem pouco?
    (depende.)

    ..........................................................................................................................................................

    Guarda nos ouvidos o ruído que tem o mundo.
    Pra ela o mundo tem um barulho igual ao de aeroporto, que é igual ao barulho de nunca mais.
    - E as palavras? Têm barulho?
    - Têm, depois eu conto.
    E vou falando de mim pra mim mesma num consolo isolado de plurais.
    Apaixonaram-se as três. Cada qual a seu modo, a seu tempo.

    - Como classificaria isso?
    - A história de amor ou o verbo?
    - O verbo, naturalmente.
    - Como classe gramatical que indica ação e que pode ou não constituir sozinha um predicado. Tem duas ou mais formas para um ou mais modos, tempos ou pessoas. Estas são as formas abundantes de amar:
    Querido; quisto.
    Presente. Passado. Futuro.
    Quer; quis ; quereria.
    Três formas de amar de se dar inveja em poeta dos bons.

    Numa locução ou história, é o verbo que assinala com precisão o início de um processo ou seu fim.

    ................................................................................................................................................

    É pra estes casos que existem os verbos acurativos, mas não servem pra nada.
    Exemplos:
    Continuar a amar. Tornar a ver. Estar perto.
    - Viu? Não servem pra nada.

    autor:  Lu Ricieri



    Escrito por Dare às 13h05
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    AUSÊNCIA

    Num deserto sem água
    Numa noite sem lua
    Num país sem nome
    Ou numa terra nua
    Por maior que seja o desespero
    Nenhuma ausência é mais funda do que a tua.


    autora: Sophia de Mello Breyner Andresen



    Escrito por Dare às 14h47
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    CANTIGA DE REDE E DE MAR

     

    Balança,balança, rede amiga,

    Suave canção de ninar...

    Só eu e mais eu....

    Solidão antiga...

    Cantiga de rede e de mar...

    autor: Dare



    Escrito por Dare às 10h39
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    Lindo texto de Lu Ricieri, minha amiga

    ... Era uma vez uma menina que estava doente... E assim começa

    um pobre conto de um solitário caderno que deu pra ser diário.

     Fora escolhido para embalar sonhos. Não traria em suas folhas

    Aritmética ou Gramática. Definitivamente era um caderno de sorte.

    Escolheram-no para ser diário ou qualquer coisa que valesse.

    A noite era escura e esfriara muito de repente,

    voltava do Francês abstrata em tanto verbo, perguntando-me

    e demorando em responder. Alheada e ao mesmo tempo

    concentrada na noite, no frio e no trânsito. Acordei quando vi

    numa elevação do calçamento um caderno. Passei ao largo,

    fingindo não ter notado tão branca presença

    naquele escuro de armazém fechado. Não queria voltar,

    mas ainda sofro da terrível ternura pelas coisas perdidas

    e de um infalível amor por cadernos, ainda mais

    pelos simples, ainda mais pelos infantis e

    grávidos de sonhos e primeiras letras.

    Fiquei meio sem graça, afinal era

    a primeira vez que invadiria os sonhos de alguém

    e na rua. Ele jazia pálido e desfraldado mostrando

    um nome em letras garrafais: MURILO.

    Um diário masculino... Porém meu sobressalto cedeu

    quando o vento veio descobrindo Lauras, Rebecas e Sofias.

    Todas princesas e nas mãos muito grandes, flores.

    Dedos cheios de anéis. Conjuntos de obras rendilhadas

    de ameias, bandeiras ao vento. Arcos e portas, fossos e bosques.

    O que mais se repetia era o nome Laura

    e passei a acreditar que Laura fosse a dona do diário.

    Murilo não era só de letras, era também imagem múltipla,

    fragmento de espelho. Sempre magro, sempre alto e longa franja.

    Fui andando rápido ao mesmo tempo em que me detinha

    embaixo de cada poste para adivinhar Murilo e Laura.

    ... E flores, e barcos e casas.

    ... Bonecas, vestidinhos.

    ... Cavalos, peixes, longos mantos.

     

    Enquanto me afastava, pensava na última esperança

    de Laura em reencontrar seu diário. Sei que mães

    não saem à-toa procurando cadernos na rua, mas sei

    que meninas têm febre ao perder um confidente. Não queria

    que o caderno corresse o risco de ser lançado ao lixo

    ou ao fogo e resolvi me ocupar dele.

    Entrei em casa e deitei-o no tapete. Ficou olhando pra mim,

    com aquele rosto lívido sem alma. Quase anônimo

    se não fosse Laura e Murilo. Digo isso porque

    não tinha mais capa e toda a alma do caderno fica na capa.
    Fui virando páginas e vejo um número de telefone.
    Decidi ligar com o coração aos pulos. Como vou me explicar?
    - Boa noite. Poderia falar com Laura?
    - Aqui não tem nenhuma Laura.
    - Sofia?
    - Não.
    - Rebeca?
    - Não.
    - É que achei um caderno na rua...
    - Ah, desculpa mas não estou pra brincadeira.
    - Mas tem esse número.
    A mulher desligou.
    Ligo novamente:
    - Perdão. É da casa do Murilo?
    - Sim, mas você de novo?
    - É que achei um caderno.
    - Escuta, ele não perde mais caderno na rua.
    - Por que?

    - Ora, é adulto e não estuda mais.

    (Laura se apaixonara por um adulto?)

    - Perdão. É que achei um caderno.

    Desligou.

    Abracei o diário.

    Não se importam mais se achamos o que perderam

    ou ainda não sabem que perderam. Menos ainda

    quando não lhes diz respeito o que achamos.

    Até quando Laura amará Murilo? Por que se apaixonou?

    Queria poder ligar novamente e perguntar

    o que Murilo faz da vida:

    Mágico? Palhaço? Professor? Carteiro?

    Entregador de gás? Enfermeiro?

    O que fez Murilo pra se tornar príncipe de Laura?

    Liguei na manhã seguinte:

    - Bom dia. É que achei um caderno.

    - Você de novo?

    - Por favor, Murilo é seu filho?

    - Sim, por que?

    - Desculpe, mas no que ele trabalha?

    - Enfermeiro.

    - Ah.

     

    Era uma vez uma menina que estava doente

    e que talvez nunca sare de tudo:

    Laura se apaixonou.

     

     

    Ontem, 03 de novembro.

     

    autor: Lu Ricieri



    Escrito por Dare às 23h08
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    HOJE TE OFEREÇO ESTA CANÇÃO. ALINE

     

    Canção de carinho para minha filha...

    Nada é mais real
    Que aprender maneira simples de viver
    Tudo é tão normal
    Se a gente não se cansa nunca de aprender
    Sempre olhar como se fosse a primeira vez
    Se espantar como criança a perguntar por quês?
    Vamos flutuar em um balão
    Que sobrevoa o amanhecer
    Vamos navegar
    Entre os navios no horizonte a se perder
    Nos lembrar
    Que tudo tem sua razão de ser
    E afinal eu quero apenas estar com você
    Sombras no céu já vem
    O anoitecer também com seus milhões de estrelas
    Que iluminarão mais uma vez
    Com a palidez da sua luz
    A imensidão que a gente vê

    música: Maneira Simples

    autores: Almir Sater e Paulo Simões



    Escrito por Dare às 16h09
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    A BELEZA DO PERDÃO

     

    Só quem entende a beleza

    do perdão, pode

    julgar seus semelhantes.

     

    autor: Sócrates



    Escrito por Dare às 03h18
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    Mais um lindo texto de Lu Ricieri

     

     Motivo: amo porque amo

     

     

    De varrer não varria nada, apenas acompanhava o leito minúsculo

    que a chuva fazia. Riozinhos rasos, onde construía pontes

    com hastes de artemísia. Às vezes afundava o leito um pouco mais

    e colecionava daquelas terrinhas soltas e de colorido diferente.

    Colecionava calhaus, os seixos mais redondos. Fazia também

    das folhas mais escuras, dos chuchus mais idosos cheios de brotos,

    mas de completa morbidez carnal. Comecei juntando coisas mortas,

    as que não davam trabalho. Depois veio a vida me buscar e foram se

    acumulando em minhas mãos outras vidas das vidas vividas por inteiro

    ou só pelo começo e depois pelo fim das vidas vividas só pelo avesso.

    Das coisas animadas, sei dizer que são nos dias de sábado que elas aparecem.

    Varria ou fingia varrer quando a vida me surpreendeu? Era um disfarce?

    A vida? Se debatia humilde. Não havia mais solução pra ela - caíra da árvore

    onde só existem desses bichinhos sem pai e sem mãe

    e com defeitos impossíveis de corrigir

    com borracha e lápis; tinta ou verniz; linha e agulha.

    Uma das asas era amarrotado vestido de seda. Parecia tão pesado!

    Abandonei a vassoura no leito seco da chuva

    e levei a vida pra dentro de mim. Onde ficaria hospedada? Apesar do vazio

    parecia tão cheio aqui dentro. Não havia caixas nem espaços em branco.

    Tudo foi tomado, assim como todas as arcas se foram

    e agora não encontro nada do que foi meu.

    De súbito, me lembrei das seis gavetas vazias. Pousei-a lá. Arrastava

    seu corpo penso e seus pezinhos descalços. Fazia-me ouvir

    que caminhava agastada sobre o papel pardo. Queria me dizer

    de sua estranheza, de seu aborrecimento,

    afinal, estava acostumada às cores e sóis - nada pardo, nada cáqui.

    E foi a gavetinha da cômoda o melhor que podia lhe dar. Aí ela passou

    a viver seu resto pelo avesso. Novamente reaprendi seus modos e tempos

    e calcei-lhe as dores. No terceiro dia, despiu-se do drapeado vestido

    para ser mais leve, mesmo assim caminhava com dificuldade ébria.

    Contava-lhe os braços pra saber se não perdera

    daqueles abraços leves que me dedicava

    na hora dos almoços e jantares. Não saí e não deixei que saísse de mim.

    A gaveta passou a ser parte de tudo que eu fosse por aqueles dias.

    Não morreria sozinha num mundo que não reconhecia seu. Viveu e dormiu

    e calou ao meu lado por quatro dias. Morreu hoje,

    dessas mortes delicadas de borboleta, sem sussurro, sem líquidos, sem mágoas.

    Deitou-se de lado. Amparei seu rosto tênue. Deitou-se de frente

    e por horas seu corpo enchia e esvaziava-se de um ar sem cheiro.

    Não consegui ouvir seus ais. Não sei se sofreu. Aproximei-me muito

    para sentir seu calor que evaporava, mas nada de frios ou palidezes.

    Morreu apenas. Sou um pouco como você, bicho de asa só.

    Fico ainda a precisar de sua asa. Aguardo que ressuscite.

    Aguardo.

     

     autor: Lu Ricieri



    Escrito por Dare às 01h15
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    SONETO DA SEPARAÇÃO (Vinícius de Moraes)

     

    De repente do riso fez-se o pranto

    Silencioso e branco como a bruma

    E das bocas unidas fez-se a espuma

    E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

    De repente da calma fez-se o vento

    Que dos olhos desfez a última chama

    E da paixão fez-se o pressentimento

    E do momento imóvel fez-se o drama.

    De repente, não mais que de repente

    Fez-se de triste o que se fez amante 

    Fez-se de triste o que se fez contente.

    Fez-se do amigo próximo o distante.

    Fez-se da vida uma aventura errante

    De repente, não mais do que de repente.

    autor: Vinícius de Moraes  



    Escrito por Dare às 05h17
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    EPÍLOGO

     

    Não me dói mais pensar em ti

    Nem me interessa saber se tu pretendes

    continuar morando aí ou se vais

    mudar de casa, de bairro ou de país.

    Se tu finges um gozo

    que não sentes ou o que sentes por todos nós, daqui.

    Não ligo mais pra nada do que faças. No que acreditas ou não.

    Se a escravidão doméstica é teu hobby, que ótimo:

    Assim, ele terá sempre pra si,

    uma mulher a servi-lo, submissa,

    e uma perfeita serviçal- de graça.

    Quem não desejaria tamanha mordomia?

    É bom saber que já está garantida

    aquela a quem tu amas de verdade.

    A minha pertence a Deus, que deu-lhe vida.

    Vale lembrar (não é minha intenção tocar em tua ferida)

    que o que nos separou foi motivado

    por muitos desencontros no passado,

    Mas sempre confiamos um no outro ,

    e por ele jamais eu fui traída.

    Quanto ao que disse de ti, arrependida, já te pedi perdão,

    e me negaste. Eu te compreendo (talvez tu

    sejas aquela sem  pecado –

    que atires em mim, não só a primeira pedra,

    mas quantas mais quiseres-

    deixo-te à vontade.

    Podes colecionar também, lembranças minhas,

    em tuas pastas ou em gavetinhas ou na tua memória...

    Por mim, já dei um basta nessa triste história.

    Levo comigo o luto pela perda de quem acreditei

    ser meu amigo. Mas me enganei. Desejo a ti

    e a ele, que hoje é de tua propriedade,

    muita paz na vida. Pois estou

    plenamente convencida de que ambos

    se merecem. Que eternamente juntos permaneçam,

    e por favor, me esqueçam.

     

    autor: Dare



    Escrito por Dare às 04h17
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    ...de Torquato

    Solidão?
    sim, com gelo e limão.
    Ingratidão?
    não, obrigado.

    autor: Torquato Neto



    Escrito por Dare às 16h50
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    PARA ALINE CECÍLIA

    Vamos brincar, enquanto chove

    essa chuvinha tão chatinha...

    Agora eu era areia branca

    E tu, conchinha!

    Vamos brincar de fazer versos:

    Te dou meus sonhos tão dispersos,

    me dás teus universos...

    me dás a flor do teu sorriso,

    te dou um pouco de juizo...

    Ah, vamos brincar de verdade?

    Eu sou teu colo...

    e tu

    Felicidade!

    Tu és a vida a cantar!

    eu, prá te ouvir,  ando uma milha...

    Tu és o mar

    eu sou a ilha

    Vamos brincar de amar?

    Sou tua mãe,

    és minha filha!

     

    autor: Dare 



    Escrito por Dare às 02h48
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    SÓ UM TEMPO

     

    Por favor, só peço um tempo

    para poder viver esse momento...

    Não me faça perguntas,

    não precise de mim... eu necessito

    apenas ouvir o meu silêncio,

    e a música do mar que

    o vento traz...

    Cada um  que se cuide...

    Estou cansada, fechada pra balanço,

    indisponível.

    Se quiser saber a minha opinião

    sobre algo,  essa é a hora errada,

    pois decidi me calar.

    Na vida cada um que escolha

    a porta por onde queira entrar.

    Por mim, vou caminhando

    Como estivesse morta, não estando.

    Assim não me preocupo mais

    com nada- e fico em paz.

     

    autor: Dare 

     



    Escrito por Dare às 13h18
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    ERMOS JARDINS

     

    Ermos jardins antigos...

    Hoje passei por eles  e não vi mais

    os campos de tulipas,

    nem o caramanchão, nem os jasmins

    de anos atrás...

    O que o tempo é capaz de destruir!

    Não mais as hortências e

    nenhuma das florzinhas amarelas

    que atraiam borboletas cor-de-ouro...

    Tudo virou deserto.

    Dos bancos de madeira, uns se quebraram,

    Outros foram comidos por cupins.

    O lago secou: no fundo dele, uma espécie

    De lama meio esverdeada, mosquitos

    ávidos caçando suas larvas...

    As árvores, por falta de cuidados,

    Perderam folhas, os troncos ressecados

    são o retrato da desolação.

    Fiquei ali, parada, contemplando,

    tentando recompor dentro de mim

    a velha imagem: múltiplas cores, perfumes,

    vôos de beija-flores e de bem-te-vis,   

    a música dos pássaros cantores,

    o farfalhar das folhas tocadas pelo vento,

    o sol, com sua luz em raios tão sutis

    formando desenhos desconexos pelo chão...

    Tudo virou deserto...

    Quando saí dalí, eu vi passar por perto,

    talvez em busca de comida, um cão sem dono,

    e, mais adiante, uma placa, onde se lia:

    “Vende-se.” Tratar.. (não deu pra ver um número apagado

    de telefone)

    Que coisa estranha é a vida, pensei,

    com uma sensação de luto e de abandono.

    Voltei pra casa. Na tevê, notícias sobre a

    menina morta pelo namorado; outra tragédia,

    tirando a vida do dono de uma famosa

    rede de supermercados...

    Em seguida, um programa de comédia,

    E o mundo se põe a rir...meu Jesus Cristo!

    Que mundo é esse?

    Sinto uma dor, misto de sono e tédio...

    Acho que tá na hora de dormir.

     

    autor: Dare 



    Escrito por Dare às 05h03
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    PARA MINHA MÃE

    Por onde andarás, minha mãe,

    em que céu te abrigaste,

    tão longe dos meus olhos?

    Em que constelação agora brilhas?

    Foram tantas as perdas

    nem sei quantas,

    depois que me deixaste...

    A tua ausência tem sido meu castigo...

    Fiquei aqui, sem o calor do teu abraço,

    Perdida num mundo tão mesquinho...

    Quem me dera sentir o teu carinho,

    no teu colo repousar o meu cansaço,

    Ó, mãe! Qual é o endereço

    da casa em que hoje moras?

    Quem sabe, como um passarinho,

    voas ao meu redor, sem que eu perceba..

    .

    Pois às vezes, ouço um canto diferente,

    canto de ave que chama o filhotinho

    como quando chegavas, de repente

    trazendo-me docinhos de presente...

    Quando virás, ó mãe, me diz, em que bendito dia

    me darás, de novo o santo beijo

     

    Que me fará feliz?

    Lembra-te de mim, amada, mesmo

    que eu nem mereça...

    Cura-me dessa ausência , dessa

    Ferida aberta e maltratada,

    Porque por aqui bem pouco resta

    De mim...

    E quando eu te encontrar, enfim, na eternidade,

    Será como o retornar do filho pródigo:

    Faremos uma festa, brindaremos

    Com vinho do espírito, o fim desta saudade...

    Anjos virão louvar o amor maior que existe,

    Amor que não se acaba, que resiste à qualquer tipo de dor,

     

    A qualquer tempestade...

    autor: Dare



    Escrito por Dare às 01h22
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    ODE À INSANIDADE

     

     

    Que se dane tudo...

    Pras cucuias a minha sensatez.

    Minhas virtudes já passaram

    da data de validade...

    Pouco me importa o nome a zelar

    e o neurótico empenho em acertar.

    Pra merda a postura de pura,

    nem pra isso eu sirvo.

    Também não sou aquela

    Que se prostitui- pobre de mim,

    nem tenho cotação

    nesse mercado inútil.

    Se ao  menos eu fosse  um pouco fútil

    mas não consigo.

    De hoje em diante, virei a mesa,

    matei o engrama

    Que me moldou numa fôrma

    de passos já traçados

    por uma sociedade hipócrita,

    que nos impõe belas mentiras

    e nos faz crer na existência

    de um poder de Bem

    que vence o Mal, desde

    que se pratique a obediência

    irrestrita e total

    a todo valor fascista.

     

    Eu agora serei

    Absolutamente anarquista,

    Assumidamente amoral...

    Adeus, delicada senhora boa e gentil!

    Ah, que enorme gozo sinto

    Em mandar tudo à puta que pariu!

    Finalmente grito meu ode à Liberdade!

    Delicioso orgasmo- a insanidade!

    ....................................................... 

    Domingo de chuva mais sombrio

    Perdi a fome... estou com frio...

    Acho que vou parar de roer unha

    minha mão assim fica medonha...

    Vício por vício... melhor fumar maconha.

     

    autor: Dare



    Escrito por Dare às 21h37
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    CAIXINHA

     

    Naquele país , onde eu vivia,

    guardava, dentro de mim

    uma caixinha de sonhos:

    sonhos de andar pelos caminhos

    que nunca foram percorridos antes...

    Fechava os olhos e pronto,

    aparecia a praia e um sol de ouro

    pra iluminar a caça ao meu tesouro:

    róseas conchinhas, caracóis, folhinhas,

    ostras com pérolas azuis-

    com elas eu faria colares e um anel,

    igual ao da princesa que vi numa revista...

    Tive um amigo imaginário, fiel,

    por onde eu fosse ele me seguia,

    brincava comigo  sempre:

    Era com ele que eu jogava o jogo

    das pedrinhas, de fazer desenhos

    e aquele das rimas,

    o que eu mais gostava:

    briga, com formiga

    gente, com presente,

    laço, com abraço,

    ninho, com moinho

    medo, com segredo,

    luz, com Jesus...

    Ah, que inveja dos pássaros no céu...

    Por que é que eu não voava?

    Ficava a inventar, em vão, asas

    que milagrosamente me levassem

    com leveza, aos longes que eu amava!

    Mas fossem asas minhas, não de um avião...

    Com o passar do tempo, fui sentindo

    Desejos mais reais: passeios com amigos de verdade,

    tocar violão, cantar, ir ao cinema,

    escrever poemas, ter um namorado,

    sonhos que a gente tem na flor da idade.

    O amor me cativou muito mais tarde,

    e dele um tesouro ganhei: a minha filha.

     

     

    Hoje, não sei por que razão, me surpreendi

    Sozinha, num mundo estranho e hostil...

    Meu velho coração transformou-se numa ilha

    deserta e fria...

    Meu país se corrompe a cada dia.

    E a caixinha onde guardei meus sonhos?

    -Está vazia.

     

    autor: Dare 



    Escrito por Dare às 18h37
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    SOBRE O QUE DISSERAM DE MIM

     

     

    Disseram que sou velha e mal-amada,

    Que sou ridícula, e que você jamais me quis...

    Que a nossa união foi obrigada por seu

    temor a Deus, para você cuidar de nossa filha...

     

    Então eu me lembrei de um certo dia,

    Daquele beijo à beira do fogão...

    “-Sente o meu coração!”, você dizia,

    E eu senti que você não mentia...

    Depois, fomos dançar num restaurante,

    E na volta, você não foi pra casa:

    Ficou a noite inteira (me amando?)

    Só sei de mim, que fui me apaixonando...

    Aí aconteceram muitas coisas,

    Algumas ruins e outras muito boas,

    Como acontece na vida de duas pessoas

    Que se dispõem a constituir família...

    Do melhor que me lembro foi a filha

    Meiga e linda que nos iluminou com sua doçura

    As músicas que ouvíamos, a festa da sua formatura,

    As risadas que rimos muitas vezes,

    Os cafés da manhã, o dia em que você

    Tão generosamente cuidou de mim,

    No hospital...nós dois, diante do berçário,

    A contemplar aquela menininha,

    E você, emocionado, a dizer:

    “-Ah, não é obra minha, foi Deus que fez!”

    Vivemos bons momentos, sim!

    E, sendo humanos, cometemos erros

    Que  agora não vem ao caso reviver...

     

    Me mandaram viver só de lembranças,

    Porque nunca fui nada pra você...

    Nunca fui nada... a não ser

    Aquela que te amava.

    Reconheço que nunca fui sua escrava

    De cama e mesa.

    Bom...tudo isso fez parte de uma vida

    Que nós vivemos juntos... e que poderia

    Ter sido bem melhor, se a gente

    Tivesse aprendido a conviver...

    Não fosse a tirania religiosa

    Que foi nos separando...gerando discussões

    E te afastando

    Da filha que você nem viu crescer.

    Um dia, finalmente, parti,

    O coração partido, o lar desfeito.

    Sofremos os dois na despedida.

     

    Tempos depois você refez sua vida.

    Mas os laços de afeto, a amizade,

    Pensei que iam durar pra sempre.

    O que eu nunca soube é que foi tudo

    Uma perversa ilusão:

    Não passei de um lixo, coisa à toa,

    Um peso, sei lá... e quem me disse

    O que disse, está coberto de razão...

     

    -É tumulo! É tumulo! É túmulo!

    Você morreu em mim, subitamente,

    Como flor arrancada de um jardim.

     

    autor: Dare



    Escrito por Dare às 11h59
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    FUNDO MUSICAL

    Lá no fundo do quintal,

    eu, tocando numa flauta

    uma enjoada musiquinha:

    e eis o fundo musical

    na vida da formiguinha. 

    autor: Dare 



    Escrito por Dare às 05h18
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    REMINISCÊNCIAS

    Lembra, mamãe, quando cortei, com tesourinha, 

    os meus cachinhos louros? 

     E de como você chorava e eu ria?  

    Ah.. minha mamãe, como eu queria  

    Que você estivesse ainda, comigo, 

     aqui, neste momento!...  

    Mas a sua cadeira, agora, está vazia  

    e, em vez da sua voz,  

    escuto a voz do vento...  

    autor: Dare



    Escrito por Dare às 18h22
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    Mais tres dias... e outro ano vai nascer!

    Que ele nos traga a realização de muitos

    de nossos desejos e projetos,

    E nos ensine lições de amor

    e generosidade entre nós!

    (Dare)



    Escrito por Dare às 19h50
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    PRESENTE DA MINHA FILHINHA ALINE

    Ganhei este lindo presente da minha filhinha!

    O maior bem que alguém pode ter é o Amor!

    (Dare)



    Escrito por Dare às 01h00
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    EU, MAFALDA...

    Às vezes me sinto assim...

    A caminhar num mundo que

    não compreendo...

    autor: Dare



    Escrito por Dare às 21h51
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    Meu amor tão inconstante (Aline Arévalo)

    Meu amor

    tão inconstante.

    Meus sonhos tão distantes e inquietos.

    Minha vida

    Meus amigos

     Muitos sentimentos

    Muitos sonhos

    Muitos pensamentos

    autor: Aline Arévalo



    Escrito por Dare às 00h48
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    Cantiga pra mamãe ninar-Aline Arévalo

    Dorme, dorme meu amor!

    Brinca, brinca de sonhar...

    Que enquanto isso estou aqui.

    Gosto tanto de te amar.

    autor: Aline Arévalo



    Escrito por Dare às 23h48
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    FAZ CALOR, QUERO CHUVA (Aline Arévalo)

    Faz calor

    Quero chuva

    a brisa gostosa do mar.

    Sentir cada gota cair.

    Ouvir a música da chuva.

    autor: Aline Arévalo



    Escrito por Dary às 17h26
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    AQUILO QUE SE FAZ POR AMOR (Nietzsche)



    Escrito por Dary às 13h58
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    S'IMBORA(..."a cidade não mora mais em mim") (dez/2004)

    “Nem tudo será esquecido. 

    Repleta de dádivas é a vida 

    e houve flores nos caminhos...” (M.C.C.)

     ........................................................................................

    Agora é tomar as rédeas do destino, 

    vencer os desafios,  

    transpor os obstáculos, 

    Fechar ouvidos às vozes da derrota, 

    olhos atentos  às possibilidades 

    que essa nova estrada me oferece... 

    Novo endereço, novas amizades, 

    novas paisagens, enfim, 

    Novo começo! 

    Comigo levarei os bons momentos, 

    doces lembranças de um passado antigo... 

    E também levarei muitas lições, que guardo, 

    para não cometer de novo os mesmos erros... 

    No mais, vou indo, sem olhar prá trás, 

    porque vislumbro à minha frente, a luz 

    de novos dias de beleza e paz... 

    E os caminhos de volta, se os houver, 

    eu sei que nunca mais serão os mesmos... 

    autor: Dare



    Escrito por Dary às 12h29
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